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Uma casa sem livros é como um corpo sem alma., Cícero

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sábado, 11 de março de 2017

O Santo e a Porca, de Ariano Suassuna


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Uma das minhas recentes aquisições , por não ter nenhuma obra de Ariano Suassuna em minha estante resolvi comprar uma edição de bolso.
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 Santo e a Porca é uma peça teatral, do gênero comédia, escrita pelo escritor Ariano Suassuna em 1957, abordando o tema da avareza. É uma comédia em três atos. Aproxima-se da literatura de cordel e dos folguedos populares do Nordeste. 

Na trama, Suassuna narra a história de um velho avarento conhecido por Euricão Árabe. Ele é devoto de Santo Antônio e esconde em sua casa uma porca cheia de dinheiro. Muito divertida, a história mistura o religioso e o profano. Apesar de engraçado, o texto tem um fundo filosófico, o que não pode passar despercebido. 

O texto não se sustenta só com o riso, mas sobretudo pela visão crítica. Suassuna utiliza uma trama muito simples para tratar de algo mais complexo, como a relação do mundo material com o espiritual. 

O leitor deve perceber que o comportamento de Euricão lembra muito os conflitos barrocos de ordem religiosa. No entanto, esse conflito, inerente ao ser humano, chama atenção pelo fato de o personagem não desfrutar de sua riqueza.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Clarissa Érico Veríssimo

Ana Paula de Araújo 


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Primeiro romance escrito por Érico Veríssimo, Clarissa deixa marcas em sua obra (e também em sua vida, já que sua filha será chamada Clarissa devido à popularidade de sua personagem), pois o autor ainda traz a história de sua personagem em outros 2 livros: Música ao Longe e Um lugar ao Sol. 


Nesta obra, temos a pequena Clarissa, com apenas 13 anos de idade, conhecendo as coisas do mundo com uma visão fantástica, e até algumas vezes assustada. Recém-chegada do interior, Clarissa vai morar numa pequena pensão em Porto Alegre. Em contato com criaturas frustradas, entregues às pequenas misérias do cotidiano, a garota descobre a vida aos poucos, ora tranqüila ora aos sobressaltos. Nesta história, espécie de iniciação à vida adulta, Clarissa se depara com uma realidade que se revela em toda a sua crueza. Seu sonho, porém, é maior do que tudo. Diferentes tipos de pessoas e ambientes são retratados por Érico Veríssimo de forma minuciosa, quase fotográfica, embora seja limitado ao território da pensão da tia, pois o o que de fato interessa é a descoberta de Clarissa em relação aos seres e às coisas que a cercam. 


 Um mundo juvenil, povoado de sonhos e fantasias é o que vemos nesta obra. No entanto, também o lado obscuro e amargo da vida ganha lugar no contexto de Clarissa, através de Amaro, o músico frustrado, já na casa dos quarenta anos, que contempla juventude de Clarissa tudo aquilo que a vida lhe negou: segurança, alegria, imaginação. Amaro ama Clarissa à sua maneira, transferindo para ela a imagem da mulher que sempre idealizara e sabe que nunca chegará a possuir. 


 Outra marca da identidade do autor é a preferência por personagens femininas. Neste romance, a força e a vitalidade está representada mais nas mulheres (autoritárias como Tia Zina, sonhadoras como Clarissa) do que nos homens, que, em geral, são indolentes, frustrados ou insensíveis. Clarissa marca o início de uma atividade criadora no qual Érico Veríssimo elevou o romance sulino ao seu ponto mais alto. "Uma vez, há muitos, muitos anos, um menino olhou o mundo com olhos interrogadores. Tudo era mistério em torno dele. 



Era numa casa grande. O arvoredo que a cercava amanhecia sempre cheio de cantos de pássaros. O mundo não terminava ali no fim daquela rua quieta, que tinha um cego que tocava concertina, um cachorro sem dono que se refestelava ao sol, um português que pelas tardinhas se sentava à frente de sua casa e desejava boa tarde a toda a gente. Não. 


O mundo ia além. Além do horizonte havia mais terras, e campos, e montanhas, e cidades, e rios e mares sem fim. Dava em nós vontade de correr mundo, andar nos trens que atravessavam as terras, nos vapores que cortam os mares. Nos olhos do menino havia uma saudade impossível, a saudade de uma terra nunca vista." 

(VERISSIMO, Erico. Clarissa; páginas 34-5, editora Cia. das Letras, 5ª edição.)

quinta-feira, 2 de março de 2017

Arcádia antiquário o novo point de cultura em Cianorte PR

Foto do perfil de Arcádia Antiquário, Nenhum texto alternativo automático disponível. 
Cianorte ganhou em 2017 um point para quem gosta de livros hqs e vinil , estou "falando" da Arcádia Antiquário , localizada no centro de Cianorte na Rua Guararapes . 
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O  projeto que visa prestigiar e divulgar a cultura é dirigido pelo Tiago Andrian , um velho conhecido por projetos relacionados a cultura alternativa em Cianorte PR.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Ku Klux Klan

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Em 1865, no sul dos Estados Unidos, surgiu um grupo de racistas, que se vestiam com roupas brancas e capuzes, montavam cavalos e perseguiam negros (ex-escravos, libertos na Guerra de Secessão) e seus defensores, denominado Ku Klux Klan. Formada por jovens veteranos da Confederação Sulista (Calvin Jones, Frank McCord, Richard Reed, John Kennedy, John Lester e James Crowe) com o intuito de prolongar a fraternidade das armas, a Ku Klux Klan se tornou grande com o decorrer do tempo, abrangendo outros estados. O nome vem do grego “kuklos”, que significa círculo. 

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 O que começou como uma brincadeira tomou proporções maiores à medida que jovens racistas ouviram falar do clã e se filiaram. Divertiam-se aterrorizando os negros, estes detestados pelos membros do clã por serem “preguiçosos, inconstantes e economicamente incapazes e, por natureza, destinados à escravidão1”. Também atacavam brancos que protegiam os negros, principalmente os professores que lecionavam em escolas para negros, temendo que os negros se instruíssem, tornando impossível a volta à escravidão. A identidade dos membros do clã não era divulgada, uma vez que vestiam roupas brancas e cobriam o rosto com capuzes. Para entrar na seita, o candidato era fechado em um tonel e empurrado ladeira abaixo. A seita foi se espalhando e uma filial foi montada no Alabama, onde foi introduzido pela primeira vez o castigo físico aos negros. Além da prática racista, os klanistas faziam visitas-surpresa aos negros, obrigando-os a votar nos democratas, acompanhadas de algumas chibatadas. 
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Em consequência dos excessos, o grupo foi posto na ilegalidade em 1871 pelo então presidente estadunidense Ulysses Grant. Muitos racistas foram presos e, para escapar da lei, fundaram outros clãs com a mesma proposta e alcunhas diferentes: White League, Shot Gun Plan, Rifle Club, entre outros. A Ku Klux Klan foi desfeita. Em 1915, o cineasta Griffith dirigiu um filme intitulado “O nascimento de uma nação”. Nesse filme, o diretor não escondeu sua simpatia pelo clã. Motivados pela película, vários racistas se reuniram e retomaram a seita, dessa vez perseguindo, além de negros, judeus e estrangeiros. 


Estima-se que, a partir desse momento, o número de klanistas chegou a cinco milhões. Com a crescente, o grupo se fortaleceu e ganhou mais simpatizantes, estes mesmos que se julgavam os defensores da moral. Agora eles também caçavam médicos charlatões, prostitutas e marginais. Suas vítimas eram marcadas com três letras K na testa. A situação chegou a um ponto tão extremo que o governo interveio, aprovando a lei antimáscara, que proibia o uso de máscaras fora do Dia de Todos os Santos e do carnaval. 

O clã foi perdendo forças, alguns integrantes foram amadurecendo, e a mentalidade foi mudando até que o clã se desfez novamente. Nos dias atuais, alguns racistas ainda se reúnem em grupos, promovendo a superioridade dos arianos. Mas, em termos de contingente, não se compara com o auge do clã, no século XIX. Felizmente! 

1 Paul-Eric Blanrue - Revista História Viva Ano II, número 21/Página 57. 
Por Demercino Júnior Graduado em História 
Equipe Brasil Escola
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